O relatório apresenta os resultados de uma pesquisa nacional multicêntrica, de abordagem quantitativa e exploratória (survey), que teve como objetivo avaliar os fatores facilitadores e inibidores da aceitação e do uso do aplicativo "Meu SUS Digital" (anteriormente chamado de Conecte SUS). O estudo analisou uma amostra de 1.264 respostas, contemplando 647 cidadãos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e 617 profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de todas as cinco regiões do Brasil. A investigação concentrou-se em medir o nível de conhecimento sobre as funcionalidades da ferramenta, o grau de satisfação, a experiência do usuário e a literacia digital percebida por ambos os segmentos pesquisados. Os achados indicam que o aplicativo é percebido como útil e de fácil usabilidade pela maioria, sendo o módulo de "Vacinas" o recurso mais amplamente conhecido e utilizado por cidadãos e profissionais. No entanto, a expansão do uso enfrenta barreiras críticas, como a falta de hábito de utilização contínua, a baixa influência social para a sua adoção diária e o expressivo desconhecimento de funções como "Contatos", "Dignidade Menstrual" e "Meu Diário de Saúde". Adicionalmente, a pesquisa evidenciou que determinantes sociodemográficos — incluindo idade, raça/cor, escolaridade e região de residência — impactam a literacia digital e a experiência dos usuários, revelando desigualdades estruturais de acesso que afetam mais intensamente pessoas pretas, pardas, indivíduos de menor escolaridade e residentes das regiões Norte e Nordeste do país. Diante disso, a obra propõe diversas recomendações ao Ministério da Saúde, como o aprimoramento da interface e da experiência do usuário (UX), a integração efetiva do aplicativo à rotina operacional da APS, a criação de suporte técnico acessível e humanizado, e o desenvolvimento de campanhas e capacitações de alfabetização digital visando a redução da exclusão tecnológica na saúde pública.