Este artigo analisa o fenômeno do populismo na Europa, com foco no questionamento da ideia de uma “explosão populista” como ameaça direta às democracias liberais. Destaca-se que o populismo é multifacetado, moldado por fatores culturais, econômicos e políticos, e mobilizado de maneira estratégica pelas elites políticas. A análise identifica a ideologia conservadora e o sentimento antiimigração como motores principais do populismo de direita, embora sua relevância varie conforme o contexto nacional. Contrariando explicações que associam o populismo apenas a crises econômicas, argumenta-se que a percepção de ameaça cultural e o abandono por parte das elites cosmopolitas são centrais para sua ascensão. O artigo também ressalta o papel do discurso populista, que captura o sentimento antiestablishment, e o da oferta política, que canaliza essas atitudes em apoio eleitoral. Assim, o populismo emerge como um reflexo das tensões sociopolíticas nas democracias contemporâneas, exigindo análises que integrem demanda popular e estratégias de mobilização política.