Populismo é um tipo retórico maniqueísta que contrapõe dois grupos distintos e antagônicos - um povo puro e uma elite corrupta. Neste texto, pretende-se discutir assuntos que correlacionam o populismo com a psicologia social. A análise perpassa as razões pelas quais o indivíduo busca afiliar-se a um coletivo. Para além disso, é exposto como esses laços de pertencimento e lealdade ao coletivo são explorados, especialmente, no contexto eleitoral. Paralelamente, são explicitados os fatores psicológicos individuais que acarretam a suscetibilidade coletiva à retórica empregada por líderes populistas, tendo como base fatores sociológicos e psicológicos que acentuam tais sentimentos nos indivíduos e nos grupos. Por fim, para exemplificar como as identidades coletivas são mobilizadas com o intuito de influenciar atitudes políticas e eleitorais, são explorados dois estudos: de Diana Mutz (2018), que explora a forma que o sentimento de ameaça ao status quo foi utilizado para capitalizar votos nas eleições presidenciais estadunidenses de 2016, enquanto a pesquisa de Hameleers et al. (2021) esclarece os efeitos da comunicação populista no posicionamento de distintos grupos sociais da Europa.